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Cremação ou Sepultamento. Qual a melhor opção ?
Até meados dos anos 90, o país tinha um único crematório. Hoje, já conta com 32 e tende a duplicar nos próximos meses.
Aos poucos, o cemitério deixa de ser o único destino dos mortos no Brasil. Até meados dos anos 90, o país contava com um único crematório — o Crematório da Vila Alpina, em São Paulo. Hoje, já se contam 32, em todas as regiões. Outros 12 crematórios deverão ficar prontos nos próximos meses. Nunca se havia ouvido falar de tantas personalidades cremadas no país — o banqueiro Olavo Setúbal (em 2008), o dramaturgo Augusto Boal (2009), o ex-vice-presidente José Alencar (2011), o ex-presidente e senador Itamar Franco (2011) e os atores Marcos Paulo (2012) e Walmor Chagas (2013). O corpo do ex-presidente e senador Itamar Franco é levado, com honras, para um crematório na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em 2011 A família respeitou o desejo de Jorge Amado. Logo após sua morte, em 2001, o corpo do escritor foi cremado e as cinzas foram espalhadas no arborizado jardim de sua casa, em Salvador, à sombra de uma mangueira. Sete anos mais tarde, o mesmo destino teriam os restos mortais de sua mulher, a escritora Zélia Gattai. Cinzas A cremação é uma versão acelerada da decomposição natural. O procedimento se faz em imensos e potentes fornos a gás. A temperatura excede os 1.000 graus Celsius. O calor reduz o corpo a pó em apenas duas horas — em vez de anos, como ocorre com o cadáver enterrado na terra. Dentro do caixão, o corpo é introduzido na câmara quente. O que resta do processo não são propriamente cinzas. Trata-se de algo que mais se assemelha a grãos grossos de areia. Ossos mais resistentes, como a rótula (o osso do joelho), saem quase inteiros do forno, ligeiramente quebradiços, e precisam ser triturados. A família recebe uma urna com algo em torno de 1,5 quilo de “cinzas”. Há uma série de razões para que os brasileiros aos poucos optem pela cremação, e não pelo tradicional enterro no cemitério. Uma delas é de ordem financeira. A cremação tem custo acessível e pode chegar a R$ 12 mil, a depender da qualidade do caixão, da urna e demais serviços adicionais inclusos. A maior parte dos crematórios do país é privada e oferecem um leque de opções no cerimonial. Na cidade de São Paulo, onde o serviço é administrado pela prefeitura, o procedimento pode ser gratuito para as famílias mais pobres. O sepultamento exige desembolsos consideráveis. Primeiro, as famílias precisam comprar um jazigo. Em cemitérios particulares, um túmulo chega a custar R$ 30 mil, dependendo da qualidade e localização do cemitério. Existem taxas anuais cobradas pelo cemitério para cuidar da manutenção do jazigo. Questões religiosas também ajudam a explicar o crescimento das cremações. Até 50 anos atrás, a Igreja Católica — predominante no Brasil — não dava autorização para a cremação. A situação mudou no início dos anos 60, quando o Concílio Vaticano II anunciou que os fiéis não precisariam mais seguir à risca a oração conhecida como Credo, que diz “creio (…) na ressurreição da carne”. Para os católicos contemporâneos, o que ressuscita é a alma, e não o corpo. Entre as principais religiões, o islamismo e o judaísmo não permitem a cremação. O espiritismo apenas pede que se aguardem de dois a três dias — há espíritos que precisam desse tempo para desencarnar. No hinduísmo e no budismo, predominantes em boa parte da Ásia, a cremação é um ritual obrigatório para que a alma se liberte do corpo. Luto fechado A dispersão de cinzas não oferece o risco de contaminar o lençol freático, como ocorre com o sepultamento de cadáveres. Na cremação, os gases são tratados de modo a não poluir o ar. Outro aspecto que conta a favor da cremação é o fato de não ocupar novos terrenos — em algumas ­capitais, já há cemitérios lotados. A disseminação dos crematórios é mais um passo numa mudança de comportamento social iniciada décadas atrás. Antes algo público, a morte hoje é cada vez mais privada, quase imperceptível para quem vê de fora. Já não se morre em casa, rodeado de familiares e amigos, mas sim no isolamento do hospital. Os velórios deixam de ser feitos em casa, levados para o cemitério ou a capela do hospital — muitas vezes, simplesmente não se faz velório. Os próprios túmulos ficam discretos, sem capelas e estátuas sacras em tamanho real. Por fim, ninguém mais é compelido a cumprir aqueles velhos rituais do luto fechado e do meio-luto. — Hoje nós nos comportamos como se ignorássemos a morte, como se quiséssemos afastá-la de nós. Parece que significa fracasso. Com a cremação, isso muda. Ao escolher entre o sepultamento e a cremação, a pessoa está pensando na morte, está encarando a morte. O mesmo vale para os familiares quando se veem envolvidos na discussão. É uma mudança de comportamento importante. A morte deixa de ser um tabu — explica Maria Helena Franco, psicóloga e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre o Luto da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Lei superficial Apesar do crescimento dos últimos anos, a cremação tem um longo caminho a percorrer no Brasil. Hoje, 98,5% dos mortos são sepultados e só 1,5% é cremado. Como comparação, os EUA cremam 37%. O Japão, nada menos que 99,9%. A cremação, por si, só ainda não é um negócio lucrativo no Brasil. É por isso que os crematórios sempre fazem parte de um cemitério. A tendência é mudar. Antes, os fornos ­precisavam ser importados. Hoje, já há fabricantes nacionais — diz Haroldo Felício, presidente do Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil. No aspecto legal, a cremação é abordada de forma breve e superficial numa lei dos anos 70, época em que se inaugurava o primeiro crematório, em São Paulo. Os brasileiros nem sequer entendiam exatamente do que se tratava. No Senado, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) estuda um projeto de lei de Sérgio Souza (PMDB-PR), o PLS 474/2011, que cria regras mais claras e detalhadas para a cremação. A proposta diz, por exemplo, que as cinzas não podem ser espalhadas em locais com grande concentração de pessoas e que, para transportá-las, os familiares precisam portar uma autorização das autoridades sanitárias. O senador explica: — Ao longo destes 40 anos, o Brasil mudou dramaticamente, incluindo os rituais fúnebres. Nós, no Congresso Nacional, precisamos atualizar as leis e acompanhar a evolução da sociedade e dos costumes. Fonte: Jornal do Senado

 

 

31/07/2012 Cremação exige vários pré-requisitos

A escolha da cremação para os procedimentos funerários está se tornando uma opção cada vez mais frequente entre os brasileiros. Porém, apesar da popularização, a prática exige processos específicos, o que pode impedir a cremação, obrigando as famílias a realizar o sepultamento convencional.

 

O procedimento se torna mais fácil quando é constatada a morte natural, que deve ser atestada por um médico legista ou por dois médicos de outras especialidades. Além disso, é preciso que a pessoa que será cremada tenha manifestado em vida o desejo pela cremação. Em muitos casos, as empresas do ramo solicitam que os familiares registrem em cartório uma escritura pública na qual afirmam que o parente optou por ser cremado.

 

Porém, no caso das mortes violentas, causadas por atropelamentos, ferimentos por arma de fogo ou arma branca, acidentes de trânsito, suicídios e outras situações, a cremação sé é feita se for apresentada uma autorização judicial para o procedimento, exigência prevista pela Lei dos Registros Públicos. O mesmo acontece quando a causa da morte não é definida, uma vez que todos os registros da pessoa são eliminados durante a cremação, em uma espécie de completa queima de arquivo.

 

“Se é uma morte violenta, a chance de ser crime é grande e depois que a pessoa é cremada a possibilidade de descobrir alguma coisa é muito reduzida”, explica Andrei Matzenbacher, diretor do Grupo Jardim da Saudade, que presta serviços de cremação. De acordo com ele, laboratórios com tecnologia avançada, mas que ainda não chegaram ao Brasil, conseguem fazer a identificação pelo DNA além de verificar alguns casos de envenenamento, mas fica impossível identificar traumas e perfurações sofridas.

 

Os valores mais baratos que os sepultamentos e a carência de espaço ajudaram a popularizar as cremações no Brasil. “Por ano o crescimento é de 7% a 12%. É  significativo”, calcula Matzenbacher. Além disso, a cultura religiosa já não exerce tanta influência nestes rituais e o aspecto ambiental também conta a favor das cremações. Diferente de incinerar, a cremação acontece em temperaturas que podem chegar a 1.000 graus, o que acelera a decomposição do corpo pelo calor. Além disso, a tecnologia empregada nos processos está avançada, reduzindo a quase zero a emissão de poluentes. O resultado da cremação é uma espécie de farelo rico em cálcio, material que pode chegar a dois quilos quando é cremada uma pessoa adulta.

 

Por: Carolina Gabardo Belo
Fonte: Parana Online
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A Morte na Família Daqueles que Trabalham com a Morte

 

“Sofro por ter derramado minha alma na areia
e por ter amado um mortal como
se ele não fosse morrer”
Sto Agostinho
É condição humana reagir à morte, e, ao contrário do que possa supor a maioria das pessoas, nós que atuamos neste segmento não estamos imune a essa experiência, muito menos insensíveis para a morte daqueles que amamos e que fizeram parte da nossa família e de nossa história.Certa vez, coordenando um grupo de apoio em um cemitério, uma senhora, admirada por nossa manifestação, relatou que imaginava que diante da morte de alguém muito querido, nós não teríamos dificuldade em lidar com o assunto e nem sofreríamos, porque, além de sermos psicólogas, trabalhamos no apoio ás famílias enlutadas. Ledo engano!Em um curto período, nestes últimos tempos, perdemos de uma só vez um pai e uma quase irmã. Perdas irreparáveis e lutos em processo. Essa experiência vem confirmar a nossa própria condição de mortal e validar a complexidade desse processo de rompimento de vínculos afetivos.Pudéssemos nós, “profissionais da morte”, ficar isentos da dor que ela provoca, mas isso não é possível e nem seria justo, porque o que nos resta de quem amamos, senão a saudade dos momentos vividos? Se a saudade nos atormenta, ela também nos alimenta na falta que sentimos de quem amamos.

Porque Não Conseguimos, Depois de Anos de Experiência, nos Tornar Dispensados da Dor da Perda? 

Talvez por que a dor da perda está proporcionalmente equiparada ao quanto investimos no vinculo rompido. Ou talvez, ainda, por nos vermos obrigadas enquanto profissionais, a lidar com a dor do outro, e não com a nossa própria dor, o que, de certa forma, nos propicia uma boa organização, condução e orientação do trabalho.

O ser humano atua em dois importantes campos: um racional e um emocional. Estas duas instâncias se inter-seccionam o tempo todo em nossa vida. Em algumas situações a “porção” da razão é maior do que a da emoção, ou o contrário, mas o fato é que ambas andam sempre juntas em diferentes medidas, ou seja: não há razão sem emoção e não há emoção sem um mínimo de razão.

Para o trabalho com enlutados, em geral, fazemos uso, em maior escala, da razão. É ela que nos permite ouvir e que nos permite tomar decisões e/ou traçar orientações diante de uma pessoa em luto complicado ou em extrema tristeza pela morte de um familiar. Todavia, sabemos que em nossa vida familiar, nossas ações estão baseadas na emoção.

Quando o profissional que trabalha com a morte perde alguém, ele está entregue às emoções e a todas as mazelas que esse fenômeno imputa. A razão e objetividade ficam comprometidas nesta hora e as manifestações da dor, referentes a esse período, se fazem necessárias.

Todo ser humano que se vincula, é impactado por ocasião de um rompimento de laços afetivos. Até os animais reagem às perdas, quanto mais nós !

Deste modo, trabalhar com a morte pode supostamente dar a sensação de que estamos preparados para enfrentá-la adequadamente em nossa família.

O Que Aprendemos Quando Trabalhamos com a Morte?

1)Que todas as pessoas morrem
2)Que a morte provoca muita dor
3)Que as pessoas ficam vulneráveis e desorientadas diante da perda

Se usarmos estes saberes adequadamente, podemos tirar proveito do fato de trabalharmos com a morte:

1)Todas as pessoas morrem, inclusive nossos familiares, portanto devemos dar todo carinho e atenção que merecem sempre porque não sabemos quando partirão.

2)A morte provoca muita dor, portanto podemos nos dar o direito de chorar e sofrer quando ela chegar para alguém que amamos, ao invés de tentar sufocar a dor da saudade, como se tudo estivesse sob controle.

3)Que as pessoas ficam vulneráveis e desorientadas diante da perda, portanto podemos também nos dar o direito ao “colo”, ao carinho dos amigos e ao pedido de ajuda que muitas vezes evitamos fazer porque temos que ser fortes.

A vulnerabilidade, a fragilidade e a grandeza quase indizível da saudade também nos habitam quando a morte chega à nossa casa.

Podemos até usar alguns recursos de negação ou de fuga, mas sabemos da ineficácia destes e do ônus que eles acarretam. Portanto, nada resta a fazer a não ser chorar por nossos entes queridos, viver a saudade deixada e expressar tudo que sentimos aflorar até que possamos reconstruir a relação que tínhamos do lado de fora para o lado de dentro, e aprender que essa relação não é mais concreta. Esse é sem dúvida, um dos maiores trabalhos psicológicos a que um ser humano tem que se haver em algum período de sua existência.

Schopenhauer, filósofo alemão, dizia que sofremos porque nos apegamos a alguém e que o remédio para essa dor seria não ligarmos a ninguém. Talvez ele tivesse razão, mas, preferimos acreditar que, apesar da dor da perda, valeu a pena amar nossos familiares, como se não fossem morrer.

Fonte: Ana Lúcia Naletto e Lélia de Cássia Faleiros são psicólogas do Centro Maiêutica e desenvolvem trabalhos na área de luto em cemitérios, crematórios e funerárias.www.centromaieutica.com.br

 

Onde retirar Declaração de Óbito – Pessoa Física?
Os formulários para Declaração de Óbito – Pessoa Física, poderão ser retirados na Sede do CREMERJ (Praia de Botafogo, 228/Lj.119-B – Centro Empresarial Rio) de 2ª à 6ª feira, de 9 às 18 horas.Os médicos também poderão cadastrar no site do CREMERJ – área restrita ao médico, até 3(três) portadores para retirar os formulários (DO). Clique aqui para cadastrar portadores.Para retirar as D.O. é necessário apresentar:

Médico
– Cédula de identidade médica;
– Livro ata, numerado, capa preta (vendido em papelarias);

Portador
– Formulário para solicitação de Declaração de Óbito preenchido, assinado e carimbado pelo médico. O portador que não for cadastrado no site do CREMERJ deverá apresentar o formulário com firma reconhecida;
– RG do portador;
– Livro ata, numerado, capa preta (vendido em papelarias).

Importante:
– No ato da solicitação de novas Declarações de Óbito, o médico deverá apresentar as vias de cor rosa dos últimos formulários entregues;
– Em caso de perda ou roubo, só poderão ser entregues novos formulários mediante apresentação do Registro de Ocorrência (não poderá ser da DEDIC-Delegacia de Dedicação Integral ao Cidadão). Esse registro substituirá a via rosa e será encaminhado para a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro;
– Em caso de rasura, as três vias (branca, amarela e rosa) deverão ser entregues no CREMERJ.